Amar é Melhor que Orgasmo
Sim, conheço ambas as experiências.
Conheço bem. Quem já teve um orgasmo sabe do que se trata. O corpo quente, as
contrações musculares, o descompasso cardíaco, o suor da pele... Enfim, é o
ápice do prazer, um êxtase indizível e imensurável. E, tamanha a magnitude
desse prazer, muita gente busca-o de diversas maneiras: sozinho, a dois, a
três; cama, mesa, banheira; quarto, sala, cozinha... São infinitas as
combinações, variando conforme a posição, o número de envolvidos, o local, os
objetos utilizados etc. etc. Tudo isso pra sentir de novo aquele prazer divino,
danado de bom. “É o céu na Terra”, a gente pensa, e faz loucuras pra visitar de
novo, por brevíssimos segundos, aquele pedacinho de céu.
Quando a
gente ama, é outra história. É outra história porque amar, apesar de ter seus
momentos agudos, não é pontual, é crônico. O amor é pra muito além do corpo e
da cama. Claro, tudo fica muito melhor. O beijo, o abraço, o toque da pele, o
sexo. Mas a cama é detalhe. A beleza do amor se estende para muito além dessas
coisas todas, porque o amor (diferente do orgasmo) vem de dentro, e por isso a
gente carrega ele pra faculdade, pro trabalho, pra missa de domingo, praquela
reunião chata com o chefe e até pro almoço com a sogra (juro!). Quando a gente
ama, a gente torna a pensar: “é o céu na Terra”. E dessa vez é verdade.
Obviamente que podemos ter os dois ao
mesmo tempo, e é gostoso demais. Mas são coisas independentes e diferentes. Uma
vez, uma veterana da faculdade (acho que da vida também) me perguntou se eu já
tinha amado alguém. Eu disse que não. Ela respondeu: é melhor que um orgasmo.
E é.