Ana vive
reclamando que não recebe visitas. Pergunta-se porque sua casa está sempre vazia, mas a verdade é que ela sempre apaga as luzes, fecha as cortinas e
tranca a porta quando passam pela rua. Ela olha pela beiradinha da janela e se
alguém que passa lá fora olha em sua direção, ela se esconde, não quer olhares que sabem ver. Quando chegam à porta de
sua casa e tocam a campainha, ela recebe do lado de fora, abre um sorriso,
conversa, brinca, passeia e se diverte, mas nunca permite que as pessoas entrem.
Quando entram, não passam da sala. Por isso, Ana não fala da sua cozinha, não
fala do seu quintal e muito menos do seu quarto. O que Ana esconde? Acho que
nem ela sabe. Talvez brinquedos, talvez espelhos, talvez óculos... Alguns batons, algumas máscaras, um chão meio sujo. Mas quando
esconde tudo isso, acaba escondendo os quadros que pinta, os livros que lê, os perfumes e a beleza das flores que cultiva.
Ana reclama da
solidão, mas ela ainda não percebeu que precisa deixar a porta aberta para que
as visitas possam entrar.