quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Importemo-nos
apenas com o lugar onde estamos.
Há
beleza o bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
[fernandopessoa]
Eu sei que existem um sem-número
de coisas indizíveis; sei que a linguagem (talvez por ser humana) é limitada e
que certos sentimentos não cabem nas palavras exatamente como sentimos que eles
não cabem em nós. Mas estou convicta de que boa parte dessas coisas indizíveis
e inexplicáveis merece qualquer tentativa de materialização no mundo, pois tão
belas experiências, ao meu ver, merecem qualquer tipo de homenagem. Essas
coisas costumam evocar um abraço, um sorriso ou o mais profundo dos olhares;
mas ainda que assim se faça, elas não cabem em nenhum desses gestos, talvez caibam
somente no abismo que existe entre pensar e sentir.
Encontrar a felicidade no agora,
saber que se está no lugar certo, com as pessoas certas, com os problemas
certos e, sobretudo, sentir que tudo é certo é o tipo de coisa
inexprimível mais gratificante que tenho alcançado. A jogada é
amarrar bem juntinho o coração, a razão e a ação. Estar aqui é
razão suficiente para ser feliz e há razões o suficiente para estarmos aqui. Há
beleza o bastante na noite de hoje, nas nuvens de hoje, no
céu de hoje; há aventura o suficiente pra quem quer se aventurar
bem como há harmonia o suficiente pra quem deseja transcender.
Em dias assim, o agora é
o sorvete gelado, é a conversa morna sob(re) o dia quente, é o carinho que
expressa o Amor. É a voz que, a distância qualquer, protege e abençoa. E só é
possível ter certeza daquilo que é agora, por isso não há porque
prender-se no passado ou entregar-se ao futuro que supomos concreto e certeiro, o devir nunca vem a ser, é uma fantasia temporal. É preciso fazer isso de corpo, alma e coração. É preciso pertencer a esse
momento, a essa vida, a essa curva.
É por isso que ele sempre me diz
que se deve passar por inteiro em cada tempo dessa estrada eterna. Ele diz pra
mim: a vida, menina, a vida é agora. E eu tenho entendido.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
deixo repousar em mim
a lembrança do teu morno olhar castanho,
o teu falar meio estranho,
o teu jeito de andar.
fica aqui a tua frágil dependência
e o teu pobre desalento.
fica teu beijo com sede de amor,
inocente da dor que mais tarde viria.
juntos no tempo pelo maior dos momentos
pelo mais puro sentimento,
pela lembrança vazia
da tua presença inteira
em uma vida marcada pela bobeira,
pelo medo de amar.
a lembrança do teu morno olhar castanho,
o teu falar meio estranho,
o teu jeito de andar.
fica aqui a tua frágil dependência
e o teu pobre desalento.
fica teu beijo com sede de amor,
inocente da dor que mais tarde viria.
juntos no tempo pelo maior dos momentos
pelo mais puro sentimento,
pela lembrança vazia
da tua presença inteira
em uma vida marcada pela bobeira,
pelo medo de amar.
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