quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Crescer

crê ser
arranha-céu
nesse mundo
que arranha.

domingo, 6 de outubro de 2013

prosa virando rosa

c
a
s
o
acaso?
duvido.
reparo:
há mais no espaço,
matéria é superfície.
profundidade:
nosso abraço.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O que te inspira,
revira,
arrepia?

o que treme a tua carne?
o que teme a tua carne?

o que tu suspira?
o que tu transpira?

mão no freio,
pé no chão!
        Não pira.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

eu,
 inverno
você,
 inferno.


        no
  ver      fer
in              in
   fer     ver
        no  
   ter     ter
e               e
   ter     ter
        no
 
       

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ops!
comi o pão com a caneta na mão.
ou comi o poema e escrevi o pão?

sábado, 24 de agosto de 2013

corpo suado,
pé descalço,
cabelo queimado.

homem de sina sofrida
catando lixo
recicla a própria vida.

quarta-feira, 1 de maio de 2013


peito cheio
do vazio de
te  
     a m a r
  à              distância

segunda-feira, 11 de março de 2013


Ana vive reclamando que não recebe visitas. Pergunta-se porque sua casa está sempre vazia, mas a verdade é que ela sempre apaga as luzes, fecha as cortinas e tranca a porta quando passam pela rua. Ela olha pela beiradinha da janela e se alguém que passa lá fora olha em sua direção, ela se esconde, não quer olhares que sabem ver.  Quando chegam à porta de sua casa e tocam a campainha, ela recebe do lado de fora, abre um sorriso, conversa, brinca, passeia e se diverte, mas nunca permite que as pessoas entrem. Quando entram, não passam da sala. Por isso, Ana não fala da sua cozinha, não fala do seu quintal e muito menos do seu quarto. O que Ana esconde? Acho que nem ela sabe. Talvez brinquedos, talvez espelhos, talvez óculos... Alguns batons, algumas máscaras, um chão meio sujo. Mas quando esconde tudo isso, acaba escondendo os quadros que pinta, os livros que lê, os perfumes e a beleza das flores que cultiva.
Ana reclama da solidão, mas ela ainda não percebeu que precisa deixar a porta aberta para que as visitas possam entrar. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza o bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
[fernandopessoa]

Eu sei que existem um sem-número de coisas indizíveis; sei que a linguagem (talvez por ser humana) é limitada e que certos sentimentos não cabem nas palavras exatamente como sentimos que eles não cabem em nós. Mas estou convicta de que boa parte dessas coisas indizíveis e inexplicáveis merece qualquer tentativa de materialização no mundo, pois tão belas experiências, ao meu ver, merecem qualquer tipo de homenagem. Essas coisas costumam evocar um abraço, um sorriso ou o mais profundo dos olhares; mas ainda que assim se faça, elas não cabem em nenhum desses gestos, talvez caibam somente no abismo que existe entre pensar e sentir.
Encontrar a felicidade no agora, saber que se está no lugar certo, com as pessoas certas, com os problemas certos e, sobretudo, sentir que tudo é certo é o tipo de coisa inexprimível mais gratificante que tenho alcançado. A jogada é amarrar bem juntinho o coração, a razão e a ação. Estar aqui é razão suficiente para ser feliz e há razões o suficiente para estarmos aqui. Há beleza o bastante na noite de hoje, nas nuvens de hoje, no céu de hoje; há aventura o suficiente pra quem quer se aventurar bem como há harmonia o suficiente pra quem deseja transcender.
Em dias assim, o agora é o sorvete gelado, é a conversa morna sob(re) o dia quente, é o carinho que expressa o Amor. É a voz que, a distância qualquer, protege e abençoa. E só é possível ter certeza daquilo que é agora, por isso não há porque prender-se no passado ou entregar-se ao futuro que supomos concreto e certeiro, o devir nunca vem a ser, é uma fantasia temporal. É preciso fazer isso de corpo, alma e coração. É preciso pertencer a esse momento, a essa vida, a essa curva. 
É por isso que ele sempre me diz que se deve passar por inteiro em cada tempo dessa estrada eterna. Ele diz pra mim: a vida, menina, a vida é agora. E eu tenho entendido.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

deixo repousar em mim
a lembrança do teu morno olhar castanho,
o teu falar meio estranho,
o teu jeito de andar.

fica aqui a tua frágil dependência
e o teu pobre desalento.
fica teu beijo com sede de amor,
inocente da dor que mais tarde viria.

juntos no tempo pelo maior dos momentos
pelo mais puro sentimento,
pela lembrança vazia
da tua presença inteira
em uma vida marcada pela bobeira,
pelo medo de amar.