Eu estava responsável pelo caixa do restaurante, junto com meu pai. Meu irmão estava servindo as mesas, e minha mãe na cozinha. Na cidade, havia uma obra, algo relacionado à abertura de caminho para a construção de estradas, e a empresa de fora responsável era a CCR. Nesse dia, três 'peões' (como dizia meu pai) dessa empresa vieram pra alomoçar no nosso restaurante. Eram três figura muito distintas: um negro, muito alto que dá tiques com o pescoço de tempo em tempo; um branquelo, baixinho, de olhos claros; e, o mais engraçado, um alto, corpulento, também de olhos claros e de toca na cabeça. Sempre aquela toca preta.
Os três chegaram me desejaram bom dia uniformemente e foram se servir. De repente, o de troca preta, que mais tarde eu descobri se chamar Fabiano, levanta a mão, olha pra mim e diz:
- コークスは、してください。
Arregalei o olho, sem enteder uma palavra do que o homem tinha dito, e olhei pro meu pai.
- Acho que é uma Coca, deixa que eu levo.
Almoçaram e foram embora.
No outro dia, a mesma coisa. O Fabiano levanta o braço e pede:
- コークスは、してください。
Sorte que meu pai estava lá de novo. E assim foi, dia após dia, durante mais ou menos uma semana até que, numa terça-feira à tarde, fora do horário de almoço, os três chegam lá. E olha a irônia... meu pai não estava comigo.
E, pra minha sorte, quem pediu foi o Fabiano:
- コークスは、してください。
- An? - Puta merda! E agora?
- Uma コークスは, dona してください.
- Comé que é? - Eu sorri, sem graça.
Ele falou com calma, e desa vez eu entendi:
- Uma Coca de vidro, dona mocinha.
Achei engraçada essa história de dona mocinha. Talvez ele tenha me chamado assim desde a primeira vez, mas eu só entendi nesse dia.
E a semana passou, sempre assim. Por várias vezes, eles passaram no restaurante à tarde pra tomar uma 'Coca de vidro'. A diferença é que agora eu entendia aquele paulista engraçado de fala tão apressada, e então, podíamos conversar um tempão.
E a semana passou, sempre assim. Por várias vezes, eles passaram no restaurante à tarde pra tomar uma 'Coca de vidro'. A diferença é que agora eu entendia aquele paulista engraçado de fala tão apressada, e então, podíamos conversar um tempão.
O Fabiano me chamou um dia:
- Pegue um copo, dona mocinha, venha tomar com a gente. Vâmo dividir aqui.
Pronto! Agora eu até achava graça no seu jeito de falar.
E enquanto eu aprendia a decifrar o sotaque do Fabaino, a obra da CCR caminhava. E um dia acabou, e os 'peões' agora iam embora.
Numa quarta à noite eles chegaram pra jantar e anunciaram que iriam embora no outro dia pela manhã.
Comeram e vieram se despedir de nós. Só prestei atenção no discurso do Fabiano, ainda era um desafio traduzir a fala dele.
- Óia, brigada por tudo, viu? Desculpa alguma coisa? Viu, dona mocinha? Tudo de bom prôceis. Ano que vem eu vorto nessa cidadezinha, aí passo aqui.
E quando eu olhei de novo, o Fabiano tava com os olhos cheios de lágrimas. Aquilo me deu uma tristeza... Pô, não queria que o Fabiano fosse embora. Mas é claro que ele foi, todos eles foram.
E agora, de vez em quando me pego rindo sozinha, lembrando da fala engraçada daquele paulista que foi embora tão depressa.
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