quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Distância

Sempre pensei na distância como um filtro de detalhes,
e quanto menos detalhes,
mais perfeito parece;
Ia muito bem com essa mentira,
até que você ficou distante.
Tão distante,
que agora prefiro me afogar em suas imperfeições
e te ter aqui,
A te ver perfeito, tão longe,
Tão longe, que meus braços não te alcancem.

sábado, 4 de setembro de 2010

O Paulista

Eu estava responsável pelo caixa do restaurante, junto com meu pai. Meu irmão estava servindo as mesas, e minha mãe na cozinha. Na cidade, havia uma obra, algo  relacionado à abertura de caminho para a construção de estradas, e a empresa de fora responsável era a CCR. Nesse dia, três 'peões' (como dizia meu pai) dessa empresa vieram pra alomoçar no nosso restaurante. Eram três figura muito distintas: um negro, muito alto que dá tiques com o pescoço de tempo em tempo; um branquelo, baixinho, de olhos claros;  e, o mais engraçado, um alto, corpulento, também de olhos claros e de toca na cabeça. Sempre aquela toca preta.
Os três  chegaram me desejaram bom dia uniformemente e foram se servir. De repente, o de troca preta, que mais tarde eu descobri se chamar Fabiano, levanta a mão, olha pra mim e diz: 
-  コークスは、してください。
Arregalei o olho, sem enteder uma palavra do que o homem tinha dito, e olhei pro meu pai.
- Acho que é uma Coca, deixa que eu levo.
Almoçaram e foram embora.
No outro dia, a mesma coisa. O Fabiano levanta o braço e pede:
コークスは、してください。
Sorte que  meu pai estava lá de novo. E assim foi, dia após dia, durante mais ou menos uma semana até que, numa terça-feira à tarde, fora do horário de almoço, os três chegam lá. E olha a  irônia... meu pai não estava comigo. 
E, pra minha sorte, quem pediu foi o Fabiano:
-  コークスは、してください。
- An? - Puta merda! E agora?
- Uma コークスは, dona してください.
- Comé que é? - Eu sorri, sem graça.
Ele falou com calma, e desa vez eu entendi:
- Uma Coca de vidro, dona mocinha.
Achei engraçada essa história de dona mocinha. Talvez ele tenha me chamado assim desde a primeira vez, mas eu só entendi nesse dia. 
E a semana passou, sempre assim. Por várias vezes, eles passaram no restaurante à tarde pra tomar uma 'Coca de vidro'. A diferença é que agora eu entendia aquele paulista engraçado de fala tão apressada, e então, podíamos conversar um tempão.
O Fabiano me chamou um dia:
- Pegue um copo, dona mocinha, venha  tomar com a gente. Vâmo dividir aqui.
Pronto! Agora eu até achava graça no seu jeito de falar.
E enquanto eu aprendia a decifrar o sotaque do Fabaino, a obra da CCR caminhava. E um dia acabou, e os 'peões' agora iam embora.
Numa quarta à noite eles chegaram pra jantar e anunciaram que iriam embora no outro dia pela manhã.
Comeram e vieram se despedir de nós. Só prestei atenção no discurso do Fabiano, ainda era um desafio traduzir a fala dele.
- Óia, brigada por tudo, viu? Desculpa alguma coisa? Viu, dona mocinha? Tudo de bom prôceis. Ano que vem eu vorto nessa cidadezinha, aí passo aqui.
E quando eu olhei de novo,  o Fabiano tava com os olhos cheios de lágrimas. Aquilo me deu uma tristeza... Pô, não queria que o Fabiano fosse embora. Mas é claro que ele foi, todos eles foram.
E agora, de vez em quando me pego rindo sozinha, lembrando da fala engraçada daquele paulista que foi embora tão depressa.


domingo, 29 de agosto de 2010

Concessões


Ana e Pedro se conheceram na faculdade. Ela achou ele interessante, gente boa, diferente dos outros. E ele a achou bonita, simpática, simplesmente encantadora.  Começaram a namorar, e namoraram durante um longo tempo.
Pedro descobriu que Ana era muito mais do que ele pensava, e ela por sua vez, se tornava cada dia mais apaixonada por ele.
Quando fizeram um ano de namoro, juraram que não iam mais se separar, nunca mais. 
Certo dia, Pedro recebeu uma proposta de intercâmbio, foi pra França.  É claro que Ana disse que ia esperá-lo, e ele disse que voltaria.
Ele saiu pra conhecer o novo país. A Torre Eifel, o Palácio de Versalhes, a Ponte Bonaparte... Percebeu que a França era tão encantadora quanto Ana. Ficou por lá, e agora namora Claire.
Ana terminou a faculdade, está noiva de Vítor e já fazem planos pro casamento. Os quatro estão surpreendentemente felizes.
Claire, Vítor e eu, achamos que isso é para sempre, Ana e Pedro já aprenderam que 'pra sempre' não existe.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

evasão à realidade.


Eu estava voltando pra casa. Já era noite e eu caminhava sob as luzes dos postes, enquanto meu corpo se projetava à minha frente. Reparei na minha cintura, que não é das melhores, e na minha altura, que nem tenho.
Comecei a me imgainar em uma passarela, com um daqueles corpos perfeitnhos, de cintura bem fininha, barrriga semi-definida e com 1,80m de altura. Flashes, flashes, flashes ...
Quando passei pelo último poste e minha sombra ficou pra trás, caí em mim:
- Eca! Eu quero é andar de skate.

terça-feira, 4 de maio de 2010

será que vocês concordariam ?


será que se eu pedisse que fossem verdadeiros comigo , seriam?
será que se eu pedisse que não traíssem me confiança , traíriam?
será que se eu jogar a verdade na cara de vocês, esperando que percebessem como estão sendo idiotas, e me fazendo ser também, perceberiam ?
e se eu mostrar pra vocês todas as verdades que estão óbvias , aceitariam a derrota ?
enfim, se eu falar, com toda a sinceridade que eu puder, que amo, e só quero o bem de vocês, me entenderiam ?
Não . Então eu não peço que sejam verdadeiros, nem que não traiam minha confiança. Muito menos que percebam o óbvio. De qualquer forma, com toda a sinceridade, eu amo vocês.

terça-feira, 27 de abril de 2010

'a vida corre pelas ruas ♫

Eu não sabia como era bom esse tempo . Hoje eu me arrependo de ter faltado tantas vezes de aula e ter perdido algumas poucas horas a mais com essa turma, que é a melhor . Sinto falta das conversas super responsáveis do Juliano; das histórias sobre a vida do Rossélio; das provas amassadas do Alessandro . Não me esqueci de nenhuma das piadas idiotas e, ao memso tempo, engraçadas do Rogério, nem das mancadas da Danúbia , e dela se achando 'A' professora novinha, bonitona e gostosona da escola (foi mal, mas ela pode.). Lembro de como eu gostava do jeito jovem e extrovertido das aulas do Fellippe; dos trtabalhos mais trabalhosos que a Rosangela passava pra gente. Coisas do tipo : cantar uma música em espanhol, dançar tango , e por aí vai ... Ah, o sotaque da Silvana! como eu admirava e achava engraçado. E o jeito bravo da Jaqueline, que sempre foi a TIA Jaque, e ainda é. Não esqueço a parceria da Ritinha ; a Vasti me pegando 'no pulo' quando eu chegava atrasada e tentava passar direto, sem que ela visse. Também tem a Dilsséia, que apesar de ser sempre tão na dela, também era parceira.
Tá guardadinho na minha memória, como se tivesse acontecido tudo ontem. Foi um longo tempo ao lado de pessoas tão importantes e marcantes na minha vida. Além de me ensianarem gramática e matemática, me mostraram como são importantes as oportunidades que temos na vida . Me provaram que uma hierarquia não é tão necessária quando estamos lidando com amigos que se respeitam. Todas a partes aprendem juntas , dividem experiências e se divertem também.
Queria poder explicar exatamente o que sinto quando lembro dessa parte da minha vida. Queria que todo mundo tivesse uma experiência como a minha , na qual os amigos de turma e os professores são as pessoas mais legais do momento.
Como tudo na vida passa, essa fase também passou. Passou e deixou ótimas lembranças. Isso é o que importa , eu sei que foi a melhor fase da minha vida, e só tenho a agradecer por tudo que aprendi com essas pessoas , e por elas terem feito parte da minha história.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

20 minutos .

Era segunfa feira, e a aula acabaria meio dia e 20 . Já cansados, no ultimo período , que era de Língua Portuguesa, os alunos pedem à professora :
- Ah, libera a gente , faltam só 20 minutos! Por favor!
A professora sem paciência responde :
- Nada disso! Segunda que vem é nossa prova bimestral , vamos pegar firme e terminar de corrigir esses exercícios!
Conformados os alunos se calam e esperam os últimos 20 minutos de aula ...

Novamente era segunda feira , e nos mesmos últimos períodos, os alunos faziam a prova de Língua Portuguesa . Era exatamente meio dia , a professora :
- Anda, gente , daqui 10 minutos recolho a prova !
Os alunos :
- Ah , não, professora ! Mais vinte minutinhos .